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Investimento em tempo de crise

 

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"A crise actual demonstra quão erradas estavam as teorias propaladas por Bretton Woods e por outras grandes potências económicas internacionais, que durante décadas, levantaram a bandeira da ideologia de Milton Friedam que assume que os mercados se regulam a sí próprios e que os governos representam o problema e não a solução".obretudo, sobre os desafios que temos pela frente, numa altura em que o mundo sofre uma crise económico-financeira apenas comparável à Grande Depressão (1929), muito embora a mesma revele um impacto global.

A crise mundial assemelha-se, assim, a um Tsunami que atinge todo o universo e que não pode ser subestimada.

Nesse sentido, exige-se a todos uma boa dose de engenho e criatividade para que possamos minorar o impacto desta crise internacional, originada pela ocorrência da ganância e de práticas pouco éticas no sector financeiro das maiores economias do mundo.

O mercado internacional encontra-se retraido, havendo por isso uma redução substancial de importações por parte das chamadas grandes economias. Facto que, por sua vez, se reflecte no abrandar paulatino das produções de minerais e demais recursos estratégicos gerados no hinterland da África Austral. Moçambique, enquanto País de trânsito por excelência, irá, certamente, ressentir-se desse abrandamento da economia global, evidenciando igualmente reflexos negativos no sector ferro-portuário.

Temos plena consciência de que esta crise só poderá ser contornada por países e empresas que melhor aproveitem a infinita capacidade humana para inovar e superar obstáculos. Todos aqueles que recorrem à capitalização do uso das ferramentas tecnológicas e que além da correcta identificação das áreas e dos projectos de investimento - pelo seu carácter estratégico, sejam capazes de gerar resultados assinaláveis e elevados retornos, a curto e médio prazos, irão proporcionar opportunidades únicas de crescimento económico e de desenvolvimento social.

Se no passado adoptamos medidas de austeridade e de grande rigor, hoje, mais do que nunca, a prática desse rigor e dessa austeridade deve representar uma atitude individual e colectiva. Devemos estar atentos ao evoluir da crise em todas as suas vertentes, colhendo informação, processando-a e transformando-a em conhecimento para que não sejamos apanhados de surpresa. temos de conhecer em detalhe as trocas comerciais, o movimento dos navios internacionais, a tipologia dos commodities e o evoluir da situação económico-financeira, quer na região quer nos grandes pilares da economia mundial, para podermos avaliar com pragmatismo quais os impactos que, a curto e médio prazos, poderão reflectir-se na nossa economia de forma determinante.

A crise actual demonstra quão erradas estavam as teorias propaladas por Bretton Woods e por outras grandes potências económicas internacionais, que durante décadas, levantaram a bandeira da ideologia de Milton Friedam que assume que os mercados se regulam a sí próprios e que os governos representam o problema e não a solução. Dizemos quão erradas estavam porque, hoje, é fundamental que os governos e suas instituições joguem um papel vital no superar desta crise de dimensões incalculáveis e altamente complexas.

É importante que o Banco Mundial, e demais instituições de crédito internacional, assumam a necessidade de apoiarem os governos e o sector público, para que estes possam também estimular o desenvolvimento do sector privado. Devemos, entretanto, enaltecer o apoio que os nossos parceiros de financiamento nos tém prestado, sem o qual não teríamos concretizado alguns dos nossos programas.

Os sectores público e privado, como referimos, precisam de apoios multifacetados dos governos e suas instituições, através de mecanismos de natureza fiscal e orçamental que fomentem a criação de emprego numa economia como a nossa que ainda é frágil. Estejamos atentos porque não queremos desemprego no nosso sector e nos sectores com os quais interagimos.

A prudência e a moderação sempre nortearam esta casa na aplicação eficiente de planos e programas definidos pelo nosso Governo. Daí a nossa importância como Empresa Pública.

Com a crise internacional que se abateu sobre a economia global, temos plena consciência de que alguns dos nossos investimentos poderão sofrer deslizes, sendo necessário que repensemos neles bem como no nosso plano de negócios para que os mesmos sejam mais realistas e exequíveis.

As estatísticas internacionais divulgadas pelas grande agências mostram uma queda acentuada do trâfego marítimo internacional. Para contornarmos estes obstáculos, exige-se que sejamos mais rigorosos e pró-activos de modo a que os nossos objectivos e metas empresariais sejam alcançados.

O sinal da crise é claro. Maus dias se auguram.Contudo, abrem-se janelas de oportunidades, uma vez que alguns dos portos concorrentes se encontram bastante congestionados e apresentam níveis de eficiência muito longe do desejável. Nós temos a obrigação de tirar proveito comercial dessa ineficiência. devemos seguir de perto os nossos clientes, pois são a razão da nossa existência. Devemos racionalizar ao máximo os recursos disponíveis e incutir o espírito de disciplina, austeridade e responsabilidade nos nossos colaboradores e gestores, a todos os níveis.

Terminada a reestruturação da Empresa e num quadro de um CFM totalmente racionalizado, podemos, finalmente, contar com um novo Regulamento Interno, um importante instrumento de gestão, que resultou desta dinâmica sócio-laboral de discussão interna e de participação colectiva a todos os níveis.

O Novo Regulamento Interno é produto do esforço e da contribuição de todos os trabalhadores, e resulta de inúmeras discussões e debates, pois a intenção era que o mesmo reflectisse, exactamente, as preocupações e os anseios dos trabalhadores ferro-portuários. A sua rigorosa e correcta aplicação por todos - e a todos os níveis, afigura-se crucial para atingirmos os objectivos empresariais e sociais que desejamos ver alcançados.

A introdução de novos instrumentos normativos visa estabelecer novos procedimentos na gestão de recursos humanos, onde a progressão nas carreiras profissionais irá obedecer a critérios de concurso e avaliação de desempenho, com base em normas a serem préviamente estabelecidas.

para que a avaliação de desempenho seja realizada de forma estruturada e rigorosa, criamos uma Comissão de Trabalho, que integra profissionais experientes, com a responsabilidade de garantir a sua efectiva implementação. esperamos uma grande entrega e dedicação de todos de modo a que, cada um, se sinta parte do sucesso que possamos alcançar.

Esta nova filosofia de avaliação de desempenho permite que desenvolvamos o conceito de responsabilização profissional de cada um, afim de distinguir e estimular os mais empenhados. É preciso recompensar os profissionais que trabalham mais, os que rasgam a camisola e não olham para o relógio quando é necessário trabalhar, mas também é preciso penalizar quem não tem desempenho e quem não se aplica. Só com o empenho, trabalho árduo e muita dedicação, poderemos melhorar a nossa vida individual e colectiva.

Hoje temos uma empresa estável e sustentável e, por isso, embarcamos num programa de investimentos para dar resposta ao nosso plano estratégico.

O CFM está em processo de consolidação do sistema informatizado integrado de gestão - PHC, que constitui sem dúvida, um importante pilar para o desenvolvimento da qualidade e eficiência da nossa boa gestão. Este sistema está a ser implementado com sucesso em todas as direcções executivas, possibilitando o exercicio rigoroso de uma gestão humana, financeira, operacional e patrimonial.

Investimos cerca de 20 milhões de dólares de recursos próprios para reabilitar a Linha de Ressano Garcia e outras infra-estruturas importantes para o nosso pleno funcionamento. Procedemos, igualmente, a investimentos na área dos equipamentos de suporte tecnológico, quer de gestão quer de exploração operacional.

É imprescindível que melhoremos a nossa capacidadede tracção para podermos responder à demanda de tráfego proveniente de todos os países sob a zona de influência do Porto de Maputo. Estamos a investir no sentido de aumentar a capacidade do Terminal de Petróleo do Porto de Maputo para 8 milhões de metros cúbicos /ano. Também temos que criar uma reserva estratégica neste Porto e em Ponta Dobela, que é um dos projectos de expansão portuária que temos em carteira.

Paralelamente ao esforço em curso de dragagem do canal de acesso ao Porto da Beira, continuamos com sucesso, negociações que visam o financiamento para a aquisição de uma nova draga oceânica e a reabilitação do trem naval do Porto da Beira, no valor de 35 milhões de euros.

Por outro lado, foram já mobilizados os financiamentos requeridos para os trabalhos de dragagem de emergência do canal de acesso àquele importante e estratégico porto. Todos os esforços estão sendo desenvolvidos no sentido de aprofundarmos os canais de acesso e construir um Terminal dedicado ao manuseamento do carvão de Moatize que irá ser exportado - segundo projecções dos operadores do sector, em quantidades equivalentes a 20 milhões de toneladas por ano, uma meta a ser atingida num horizonte de 10 anos, aproximadamente.

Uma palavra de apreço vai, com certeza, dedicada ao Banco Europeu de Investimentos, pela sua flexibilidade e prontidão na análise dos projectos e mobilização dos financiamentos requeridos, no montante de cerca de 65 milhões de euros.

Ainda no plano dos investimentos, devo salientar que reabrimos, em 2008, a ligação ferroviária entre o Porto da Beira e a Vila de Marromeu, na estratégica Linha de Férrea de Sena. A reconstrução desta Linha representa o desancravar do Vale do Zambeze e a concretização de um sonho de 26 anos. Continuamos a trabalhar árduamente na perspectiva de que as obras de reconstrução daquela via férrea venham a ser concluidas ainda no decurso de 2009, conforme o previsto. Como tal , a empresa concessionária do Sistema Ferroviário do Centro deve imprimir uma maior dinâmica por forma a cumprir com os prazos estabelecidos. É fundamental para o País e para a região que esta Linha seja inseminadora do desenvolvimento económico, social e humano, de que tanto necessitamos.

O futuro da nossa empresa depende das decisões que tomamos no presente. Temos de ser bastante prudentes face à crise que paira na economia internacional. Em todos os nossos actos de gestão deverão estar presentes a austeridade e a racionalidade.

Por Rui Cerne Fonseca
(PCA - CFM)

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