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Mensagem do Presidente do Conselho de Administração dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique por ocasião do ano novo |
Caros colegas
Mais um ano finda e nesta ocasião gostaria de saudar todos os trabalhadores ferro-portuários e respectivas famílias. Quero agradecer-vos a todos, pela colaboração, trabalho, empenho, profissionalismo e, acima de tudo, pela lealidade que tém demonstrado à Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, E.P. - CFM.
Este é o momento propício para balanços e avaliações e por isso, aproveito esta oportunidade para fazer uma apreciação das nossas inúmeras realizações no plano económico, financeiro, operacional e social. Os dois últimos anos foram de grandes dificuldades e desafios para todos nós dado que a conjuntura internacional, dominada pela grave crise financeira, que produziu e induziu uma gravíssima crise económica e sistemática a escala do mundo, que teve óbviamente reflexos negativos na nossa actividade, sabendo quão frágil é ainda a economia do nosso País e a nossa dependência em relação aos tráfegos de trânsito das economias dos países vizinhos.
Tem sido preocupação permanente da empresa desenvolver uma política social dirigida aos trabalhadores e suas famílias, e é nessa perspectiva que nos últimos anos temos vindo a atribuir o décimo quarto salário em reconhecimento do contributo de todos para o bom desempenho do CFM. |
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Não nos foi possível manter essa prática no ano que ora finda, dado que a crise já referida teve reflexos nefastos e incontornáveis no sector ferro-portuário da região Austral de África, em que o CFM como parte integrante não foi excepção.
Portanto, o ano de 2008 e o primeiro semestre de 2009 foram particularmente difíceis para a nossa empresa e para todos intervenientes da complexa cadeia logística regional e internacional, dadas as adversidades económicas em vários sectores de actividade produtiva à escala global. A recessão económica fez-se sentir com maior incidência no nosso sistema ferroviário, em particular no sistema ferroviário do sul, por sinal o único sob exploração directa do CFM, onde os resultados obtidos no decurso do primeiro semestre estiveram muito aquém do planificado.
É importante sublinhar que qualquer empresa só pode distribuir ou redistribuir o resultado da sua produção. Torna-se, portanto, inquestionável, que os limites da política social estão na disponibilidade dos rendimentos. Querendo a melhoria permanente das nossas condições de vida e de trabalho, devemos iniciar pelas medidads que contribuam para o aumento do rendimento empresarial: rigor, responsabilidade e trabalho árduo.
Aquando da Reunião anual do Conselho de Directores realizada no início deste ano, alertamos para a necessidade de estarmos atentos porque com a crise internacional que se abatia sobre a economia global, alguns dos nossos investimentos poderiam sofrer deslizes, facto que veio a confirmar-se. Nessa ocasião, chamamos a atenção para a necessidade do CFM-Sul organizar a sua actividade em centros de resultados, linha por linha, dado que isso iria permitir perceber qual o centro de negócio que efectivamente produz resultados, bem como identificar aqueles que precisariam de maior atenção.
Com o esforço e abnegação de todos, foi possível reverter esse cenário e a nossa actividade produtiva melhorou substancialmente, tendo registado incrementos no volume de tráfego quer ferroviário quer portuário.
fruto dessa recuperação e porque é nosso desejo e ambição, apostar sempre na qualidade de vida dos nossos trabalhadores, o Conselho de Administração decidiu, em face dos resultados operacionais e financeiros do ano de 2009, atribuir o décimo quarto salário no mês de Março de 2010. Sublinhe-se entretanto, que este salário é correspondente ao exrcício de 2009 e não ao de 2008, dado que naquele ano o nosso desempenho ficou aquém das expectativas, dada a conjuntura económica e financeira que relatei anteriormnte.
O sucesso da emprea está indissociavelmente ligado à atenção que se dispensa aos quadros e trabalhadores, devendo para tal haver um forte sentido de responsabilidade social, criando condições para o seu desenvolvimento, quer por via de estímulos materiais, quer através de permanente formação, de acordo com o desempenho de cada um.
No decurso do ano de 2009, aprovamos um importante instrumento de gestão e de desenvolvimento dos nossos recursos humanos que é o novo Qualificador de Perfis Profissionais e das respectivas Carreiras que visam fundamentalmente estabelecer novos procedimentos na gestão dos Recursos humanos, onde a progressão nas carreiras profissionais passa a obedecer a critérios de concurso e avaliação de desempenho, co base em normas préviamente estabelecidas.
Em 2009 introduzimos um novo sistema de avaliação de desempenho. esta nova filosofia de avaliação permite que desenvolvamos o conceito de responsabilidade profissional de cada um, afim de distinguir e estimular os mais empenhados. É preciso recompensar os profissionais que trabalham mais, os que rasgam a camisola e não olham para o relógio quando é necessário trabalhar, mas também é preciso penalizar quem não tem desempenho e quem não se aplica. Só com o desempenho, trabalho árduo e muita dedicação poderemos melhorar a nossa vida individual e colectiva. Doravante, a Avaliação de Desempenho será prática constante e permanente.
Hoje temos uma empresa estável e sustentável e, por isso, embarcamos num programa de investimentos para dar resposta ao nosso plano estratégico.
O sistema informatizado integrado de gestão - PHC - que constitui, sem dúvida, um importante pilar para o desenvolvimento da qualidade e eficiência da nossa boa gestão está a ser implementado com sucesso na Sede e em todas as Direcções Executivas, possibilitando o exercício rigoroso e eficaz de uma gestão humana, financeira, operacional e patrimonial.
O PHC traz agregado a sí um grande desafio à nossa massa laboral, um desafio de mudança, mudança estrutural que se vai operar sobretudo nas nossas mentes, desafio tecnológico é certo, mas também desafio cultural, no sentido de que da sua plena adopção e uso, daremos um significativo salto qualitativo na forma como gerimos e como encaramos os diversos processos que concorrem para a prossecução do nosso trabalho.
No plano operacional, apesar dos constrangimentos de vária ordem, particular realce deve ser dado ao real crescimento da nossa produção e desempenho nas áreas de manuseamento ferroportuário, no período Janeiro - Outubro de 2009. Na área portuária, foram manuseadas no global 10.164,8 mil toneladas métricas contra 9.757,8 mil toneladas do ano anterior, representando um crescimento de 4,2%. Contudo, na área ferroviária, houve um decréscimo em termos de toneladas quilómetro, dado que foram realizadas 528,8 milhões de toneladas quilómetro contra 599 milhões de toneladas quilómetro do ano anterior, representando uma redução de 2,4%. Na verdade, a tonelada quilómetro é a unidade de tráfego donde resultam os nossos rendimentos, pelo que temos de inverter este cenário transportando mais tráfego nas linhas de percurso mais longo e aumentando também os volumes de carga nas linhas de percurso mais curto.
No que respeita ao serviço de transporte de passageiros, devo sublinhar que transportamos de Janeiro a Outubro, 2.190,852 passageiros contra 1.703.991 em igual período de 2008, o que representa um crescimento de 28,6%.
Na perspectiva de melhor servir a nossa população utente do serviço de transporte de passageiros, adquirimos por via de concurso público internacional, 29 carruagens, 4 salões restaurantes, 4 furgões geradores e 1 furgão para bagagem, perfazendo um total de 38 veículos. Estes equipamentos que brevemente entrarão em serviço na rede ferroviária sul, foram adquiridos ao Caminho de Ferro do Botswana, num investimento de 1.9 milhões de dólares americanos. Esperamos com estes veículos realizar este transporte social, com mais conforto, segurança e eficiência. Temos plena consciência de que este esforço irá resultar na redução do sofrimento de milhares de famílias moçambicanas que residem ou trabalham em zonas distantes dos principais centros urbanos.
Os resultados operacionais provisórios de 2009 (até ao mês de Novembro) indicam que facturamos 2.633,34 milhões de Meticais e tivemos custos na ordem de 2.064,04 milhões de Meticais, sendo que obtivemos um resultado operacional de cerca de 569,3 milhões de Meticais.
O ano que em breve iniciará, será sem dúvida, de grande desafios que acredito, serão ultrapassados com o empenho e abnegação de todos. Para tal a empresa definiu objectivos claros, e tudo temos feito para promover a eficiência e a competitividade na prestação de serviços aos nossos clientes e apostar na permanente formação de quadros, que constitui o garante da estabilidade e excelência na prestação de serviços.
Estamos também a investir fortemente em infra-estruturas de comunicações e de sinalização, mas é necessário que a área da via, da tracção e do material rebocado acompanhem esse crescimento, dando resposta atempada e eficaz às necessidades da exploração.
Paralelamente ao esforço em curso de dragagem do canal de acesso ao Porto da Beira, concluimos, com sucesso, negociações visando o financiamente para a aquisição de uma nova draga oceânica e reabilitação do trem naval do mesmo porto.
Foram já mobilizados os financiamentos requeridos para os trabalhos de dragagem de emergência do canal de acesso àquele importante e estratégico porto. Todos os esforços estão sendo desenvolvidos no sentido de aprofundarmos os canais de acesso e construir um terminal dedicado para o manuseamento do carvão de Moatize que vai ser exportado, segundo projecções dos operadores do sector, em quantidade de cerca de 12 milhões de toneladas por ano, a serem atingidas num horizonte de aproximadamente 10 anos.
Continuamos a trabalhar árduamente na perspectiva de que as obras de reconstrução da Linha de Sena sejam concluidas o mais breve possível, mas para que isso se concretize é necessário que a empresa concessionária do Sistema Ferroviário do Centro imprima uma maior dinâmica e que tenha uma atitude empresarial completamente diferente do paradigma actual. É fundamental para o País e para a região que esta Linha seja inseminadora do desenvolvimento económico, social e humano, de que tanto necessitamos.
Estamos a investir no sentido de aumentar a capacidade do Terminal de Petróleos do Porto de Maputo para oito milhões de metros cúbicos pr ano. Também temos que criar uma reserva estratégica no Porto de Maputo e em Ponta Dobela, que é um dos projectos de expansão portuária que temos em carteira.
Concebemos um Plano de negócios bastante arrojado e que deve ser integralmente cumprido. Para alcançarmos este objectivo temos de ser rigorosos e pró-activos para a sua execução seja bem sucedida e os nossos serviços se tornem mais eficazes, competitivos e eficientes.
Só com o empenho e a dedicação continuaremos a registar resultados positivos e
a contribuir decisivamente para o crescimento económico e social de Moçambique. Continuaremos a fazer, de forma redobrada, aquilo que o País espera de nós, transformando um período adverso numa circunstância de oportunidades. O sector ferro-portuário, devido à sua dimensão estratégica, pode e deve constituir-se numa das possibilidades de crescimento e desenvolvimento real e sustentável de Moçambique.
Para todos os trabalhadores ferro-portuários, vão os meus votos sinceros de Festas Felizes e um Próspero Ano Novo, repleto de realizações, quer no plano profissional, quer no individual e familiar.
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Maputo, Dezembro de 2009
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